Cirurgia Urológica

Complicações da cirurgia de postectomia

Publicado em 30 de Agosto de 2020 • Por Dr. Pedro Luiz de Brito

A postectomia, que é a retirada cirúrgica do excesso de prepúcio, é um dos procedimentos mais realizados em cirurgia pediátrica. A sua indicação principal é a ocorrência de fimose — a incapacidade de retrair a pele do prepúcio expondo a glande com facilidade —, mas também pode estar indicada quando a criança tem um excesso significativo do prepúcio e mesmo por motivos culturais.

É um procedimento realizado sob anestesia geral em regime de hospital dia, com a criança internando de manhã e tendo alta à tarde. Comparativamente às outras cirurgias, é considerado simples, mas passível de complicações como qualquer cirurgia. Pode ser realizado através da ressecção do prepúcio após a colocação de um anel plástico que envolve a glande (plastibell) ou com a sutura da pele no local da ressecção. Cada método tem sua indicação, que depende principalmente da idade da criança e da experiência do cirurgião, mas os resultados e a incidência de complicações são similares.

O principal problema da postectomia é o desconforto que algumas crianças apresentam no pós-operatório, que não é uma complicação, mas algo inerente ao procedimento.

Complicações precoces

Podem ocorrer até um mês depois da cirurgia. As mais frequentes são os sangramentos, as infecções locais e os problemas relacionados ao anel plástico usado em alguns casos.

Os sangramentos, na maioria das vezes, são discretos e melhoram espontaneamente; alguns casos precisarão de revisão da hemostasia no centro cirúrgico, com anestesia geral. As infecções costumam responder bem aos cuidados locais, mas eventualmente exigem antibiótico sistêmico. Quanto ao plastibell — que costuma cair sozinho após cerca de duas semanas —, pode ocorrer o encarceramento da glande através do anel, que precisará ser retirado, também com anestesia geral.

Complicações tardias

Estenose do meato uretral: a complicação tardia mais temida. A exposição da glande após a cirurgia pode gerar lesões pelo contato com as roupas, que geralmente cicatrizam sem problemas. Quando essas lesões comprometem o meato uretral, pode ocorrer sua estenose, fazendo a criança urinar com esforço e jato fino. Nesses casos é necessária uma cirurgia (meatotomia) ou sessões de dilatação.

Recidiva da fimose: pode ocorrer quando se deixa um pouco mais do prepúcio. Dependendo de fatores individuais, a cicatrização pode levar à recidiva — mais comum em crianças obesas e com pênis embutido.

Aderências entre prepúcio e glande: frequentes no pós-operatório. Inicialmente não causam dor e costumam resolver com o crescimento; em alguns casos, pontes cicatriciais precisam ser desfeitas cirurgicamente.

Sensibilidade na glande: varia de criança para criança. É comum um desconforto que se intensifica no banho e diminui progressivamente. A perda de sensibilidade não é relatada por crianças menores, mas pode ser um problema para adolescentes.

Embora seja uma cirurgia realizada com frequência e de forma bastante segura, a postectomia pode apresentar essas e outras complicações no pós-operatório — o que precisa ficar bem claro antes da realização do procedimento. Fique à vontade para deixar qualquer dúvida sobre o assunto.

Referência

Postectomia: complicações pós-operatórias necessitando reintervenção cirúrgica. DOI: 10.1590/S1679-45082018AO4241

Tags: Postectomia Fimose Pós-operatório
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