Urgências

Meu filho(a) engoliu uma moeda, e agora?

Publicado em 13 de Agosto de 2020 • Por Dr. Pedro Luiz de Brito

A ingestão de corpo estranho é um acidente frequente em crianças menores que três anos e preocupa bastante os pais. Nunca é demais lembrar que, nessa faixa etária, é muito importante evitar que as crianças manipulem objetos pequenos, que com frequência acabam sendo levados à boca e podem ser engolidos — ou, pior, aspirados, obstruindo as vias aéreas superiores, o que pode ser fatal.

A primeira coisa a fazer

Ao suspeitar que seu filho(a) engoliu algum objeto, verifique se ele(a) está respirando bem. Caso perceba algum esforço para inspirar ou expirar, leve a criança o mais rápido possível ao pronto-socorro. Mesmo que ela esteja respirando bem, deve ser avaliada por um médico, pois, dependendo do tipo e da posição do objeto, ainda pode se tratar de uma emergência.

Sintomas e diagnóstico

Na maioria das vezes, a ingestão não causa sintomas. Algumas crianças podem apresentar dificuldade para engolir (mesmo a saliva), dor torácica ou abdominal e vômitos. Para confirmar a ingestão e verificar a posição de objetos metálicos, o raio-X simples de tórax e abdômen é suficiente. Para objetos de plástico, vidro ou madeira, pode ser necessário exame com contraste, tomografia ou ressonância magnética.

A localização determina o tratamento

Quando o objeto está no esôfago, é necessária endoscopia para retirá-lo — o que deve ser feito com urgência no caso das baterias tipo botão, que podem causar lesão em questão de minutos. Quando está no estômago, a endoscopia é indicada apenas para objetos grandes e não precisa ser de emergência, mantendo-se a criança em jejum até o procedimento. Se, pelo tempo de ingestão e pela imagem, o objeto já tiver passado do estômago, a conduta é expectante.

Os pais devem observar se a criança apresenta dificuldade para se alimentar ou dor abdominal e examinar com cuidado as fezes até identificar a eliminação do objeto. Caso haja alguma queixa ou o objeto não seja eliminado em uma semana, a criança deve retornar ao PS para repetir o raio-X e acompanhar a trajetória do corpo estranho.

As moedas são os objetos mais engolidos e normalmente são eliminadas sem problemas, assim como objetos pontiagudos. Já as baterias/pilhas e os ímãs exigem acompanhamento muito cuidadoso, pelo risco de lesões graves. Não existe tempo máximo para a eliminação, nem necessidade de laxantes ou lavagem intestinal. Quando não há progressão nítida do objeto, pode ser necessária cirurgia para retirá-lo.

Referência

Management of ingested foreign bodies in children: a clinical report of the NASPGHAN Endoscopy Committee. DOI: 10.1097/MPG.0000000000000729

Tags: Corpo Estranho Urgência Segurança Infantil
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