Linfangioma: o que é e como tratamos
Publicado em 15 de Outubro de 2020 • Por Dr. Pedro Luiz de Brito
O linfangioma é uma má formação da drenagem linfática que acomete principalmente o subcutâneo, a camada de gordura localizada logo abaixo da pele, de qualquer parte do corpo. Na faixa etária pediátrica, manifesta-se como um inchaço indolor de tamanho variável que pode já ser visível ao nascimento ou aparecer após alguns meses. Os locais mais frequentemente acometidos são as regiões cervical, axilar e inguinal. Essas lesões têm um comportamento incerto, às vezes apresentando um crescimento rápido, outras podendo diminuir com o tempo.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é confirmado com a realização de ultrassom, tomografia computadorizada ou ressonância nuclear magnética, exames que conseguem ainda definir a extensão da lesão. A ultrassonografia é o método menos invasivo e mostra as lesões multicísticas características, que podem ter tamanhos variados.
Um tipo particular de linfangioma que acomete o recém-nascido é o higroma cístico. Ele pode infiltrar a cavidade oral e as estruturas cervicais, comprometendo a respiração e a deglutição, sendo necessária, em alguns casos, a realização de traqueostomia e gastrostomia.
Na maioria das vezes o crescimento dos linfangiomas é lento. No entanto, nos casos em que a criança apresenta um quadro gripal, é comum ocorrer um aumento da lesão, que pode também adquirir sinais de inflamação — algo que regride após algum tempo com o uso de antibióticos.
Quais são as opções de tratamento?
O tratamento do linfangioma irá depender do seu tamanho e localização. Um recurso bastante utilizado é a esclerose dessas lesões. Sob anestesia geral, é realizada uma punção do linfangioma, procurando-se retirar o máximo possível de líquido do seu interior. No mesmo local, é injetada uma substância que provoca uma reação inflamatória local, o que vai “secando” a lesão. Na maioria das vezes, são necessárias mais de uma sessão de esclerose, com resultados que variam de caso a caso.
No caso dos linfangiomas pequenos, que não acometem estruturas irressecáveis, ou naqueles em que não houve resposta adequada à escleroterapia, pode estar indicada a ressecção cirúrgica. Na cirurgia, existe o risco de lesão das estruturas infiltradas pelo linfangioma e a possibilidade de recidiva, uma vez que nem sempre se consegue a ressecção completa da lesão.
Resumo de artigo — Terapias não cirúrgicas para linfangiomas
Nonsurgical therapies for lymphangiomas: A systematic review. Acevedo JL, Shah RK, Brietzke SE. DOI: 10.1016/j.otohns.2007.11.018
As malformações linfáticas (também chamadas de linfangioma e higroma cístico) ocorrem em 75% das vezes na cabeça e no pescoço. Quase metade é detectada ao nascimento e 80% a 90% antes dos 2 anos. Embora o tratamento clássico seja cirúrgico, o risco de lesão de estruturas vitais e a tendência de recorrência motivaram a busca por terapias não cirúrgicas, sobretudo a escleroterapia percutânea.
A revisão mostrou alto nível de eficácia para a escleroterapia (com destaque para OK-432 e bleomicina): boa ou excelente resposta na maioria dos pacientes, com necessidade de cirurgia posterior em apenas cerca de 12,5% dos casos. Ainda assim, a maioria das evidências vem de séries de casos, e estudos randomizados são necessários para definir os melhores algoritmos de tratamento.
Espero ter esclarecido algumas dúvidas. Cada linfangioma é único, e a melhor conduta depende sempre de uma avaliação individualizada. Estou à disposição para responder qualquer pergunta.