Testículos retráteis
Publicado em 30 de Julho de 2020 • Por Dr. Pedro Luiz de Brito
Habitualmente, no momento do nascimento, os testículos já estão na bolsa escrotal. Em alguns casos, como nos bebês prematuros, isso pode demorar até os 6 meses para ocorrer. A partir dessa idade, caso os testículos ainda não estejam na bolsa, é necessária cirurgia para colocá-los no local — a orquidopexia. Esse procedimento deve ser realizado para que o testículo se desenvolva e para diminuir a chance de neoplasia.
O que é o testículo retrátil
Existem situações em que o testículo que já estava na bolsa passa a não ficar constantemente nessa posição. Os pais costumam dizer que um ou os dois testículos, às vezes, “sobem”. Essa subida esporádica é normal e ocorre por contração da musculatura da região inguino-escrotal (o reflexo cremastérico), desencadeada por frio, cócegas, choro ou pelo receio da criança ao ser examinada.
Se, na maior parte do tempo, o testículo fica na bolsa, dizemos que ele é retrátil e que, com o crescimento da criança, essa situação provavelmente se resolverá sem qualquer tratamento. No entanto, a maioria dos pais tem dificuldade em verificar a posição correta dos testículos, sobretudo nos meninos com bolsa escrotal menos desenvolvida — a visualização, sozinha, não basta. É preciso palpar os testículos na bolsa, mas o receio de causar dor e a falta de cooperação da criança tornam a tarefa difícil.
Diagnóstico e acompanhamento
Por esses motivos, o diagnóstico do testículo retrátil baseia-se principalmente no exame físico realizado pelo médico. Um ou os dois testículos podem inicialmente estar palpáveis na região inguinal, mas deve ser possível posicioná-los na bolsa sem dificuldade, permanecendo aí por algum tempo.
É necessário manter o seguimento dessas crianças até a adolescência porque, em cerca de 30% dos casos, será preciso realizar cirurgia para fixar o testículo na bolsa — seja porque ele passa a se localizar constantemente na região inguinal, seja porque se percebe uma diminuição no seu crescimento.
Do retractile testes have anatomical anomalies? DOI: 10.1590/S1677-5538.IBJU.2015.0538